Lucy e a CPH4: a droga do filme existe?

por João Paulo Silva

“Mulheres grávidas produzem CPH4 na sexta semana de gravidez, em quantidades mínimas. Para o bebê, tem a força de uma bomba atômica. É o que dá ao feto a energia necessária para formar todos os ossos do corpo.” – disse o médico a Lucy, no filme homônimo.

Lucy e a CPH4: a droga do filme existe?
Crédito: reprodução

O CPH4 nada mais é que uma enzima que a mãe passa para o bebê, ainda quando está em gestação. Essa enzima tem como função formar a parte óssea do indivíduo em formação.

No filme Lucy, 2014, estrelado por Scarlett Johansson, a enzima é retratada como se fosse uma droga, onde é possível dar “poderes” para a personagem que passa a conseguir a expansão da sua capacidade cerebral, ultrapassando os 10% que supostamente o ser humano comum consegue utilizar. Contudo, dizem, é apenas ficção.

A tal droga chega às mãos da protagonista através de seu namorado Richard, que obriga a jovem a trabalhar como transportadora de drogas, uma “mula”. A substância é introduzida cirurgicamente no abdômen de Lucy e de outras “mulas”, que são enviadas para a Europa.

Paralelamente à história de Lucy, o professor Samuel Norman, personagem brilhantemente interpretado por Morgan Freeman, dá uma aula sobre a teoria do uso de apenas 10% do cérebro pelo ser humano, baseado em seus estudos.

“Há mais conexões no corpo humano do que estrelas na galáxia. Possuímos uma gigantesca rede de informação a qual temos pouquíssimo acesso… É intrigante pensar que gregos, egípcios e indianos já tinham noção da célula séculos antes da invenção do microscópio”.

O mito do uso de apenas 10% do cérebro é uma teoria de que as habilidades intelectuais do ser humano não seriam plenamente exploradas. Na verdade, o homem usaria apenas os dez por cento de seu cérebro e, aumentando-o, de alguma forma, poderia desfrutar de extraordinárias habilidades e alcançar altos níveis de habilidades e conhecimentos.

O CPH4 existe realmente?

Ninguém melhor para responder esta pergunta o diretor do filme:

“CPH4 existe, não é seu nome real, mas existe. CPH4 é um nome que eu inventei, mas é uma molécula liberada por mulheres, após seis semanas de gravidez, em quantidades muito pequenas. Mas existe e é verdade que o poder de CPH4 é equivalente ao de uma bomba atômica para a criança. Portanto, não é uma droga ou algo semelhante, mas simplesmente uma molécula produzida naturalmente por mulheres durante a gravidez.”

O nome científico do CPH4 é 6-carboxytetrahydropterin (em inglês). Sim, é verdade e é produzido após 6 semanas de gravidez na mulher. Serve basicamente para ajudar o feto a formar e obter ossos e estrutura.

Um dos momentos mais interessantes e marcantes do filme é quando Lucy encontra Lucy. A personagem do filme, já em altos níveis de expansão cerebral, faz uma viagem no tempo e encontra Lucy, “a mãe da humanidade”, um fóssil de mais de 3,2 milhões de anos, descoberto em 1972, pelo professor e paleoantropólogo americano Donald Johanson, no deserto de Afar, Etiópia.

Lucy é ficção, mas tem realidade. A droga do conhecimento é a busca incessante pela verdade. 10, 20, 50 ou 100% é indiferente, o importante é perceber que sempre é possível ir além daquilo que se vê. Como disse o professor Norman, no filme:

“Cabe a nós romper as barreiras das regras e leis e passar da evolução para a revolução”.

Assista ao trailer do filme:

Dados do filme Lucy

“Lucy” é um filme intrigante, que combina elementos de ação, ficção científica e thriller, conduzido pela visão estilizada do diretor francês Luc Besson. Protagonizado pela talentosa Scarlett Johansson, o filme nos oferece um enredo altamente original e provocante, embora às vezes controverso, que desafia o público a reconsiderar suas próprias noções de capacidade humana e consciência.

Scarlett Johansson interpreta Lucy, uma estudante americana em Taiwan que, através de circunstâncias infelizes, se envolve com um perigoso sindicato de drogas. Quando uma nova droga experimental é inserida em seu corpo contra sua vontade, ela acidentalmente absorve a substância, resultando em habilidades além do que qualquer humano normal poderia possuir – essencialmente, ela começa a usar uma porcentagem cada vez maior de sua capacidade cerebral.

À medida que a droga desbloqueia os recessos ocultos de sua mente, Lucy ganha habilidades que desafiam a lógica e a física – desde a leitura de mentes até a manipulação da matéria ao seu redor. Ela se transforma de uma vítima sem esperança para uma força quase divina, decidida a se vingar daqueles que a prejudicaram.

A atuação de Johansson é convincente à medida que ela evolui de uma personagem assustada e vulnerável para uma super-humana fria e calculista. A presença de Morgan Freeman como um professor universitário especializado em neurociência acrescenta peso e credibilidade ao filme, mesmo quando a premissa fica cada vez mais surreal.

O maior ponto de discussão do filme, sem dúvida, é a premissa de que os humanos usam apenas 10% de seus cérebros – uma afirmação que é amplamente desacreditada pela ciência moderna. No entanto, se os espectadores puderem suspender sua descrença e aceitar essa premissa, “Lucy” oferece uma viagem cinematográfica visualmente deslumbrante e repleta de ação.

Apesar das críticas por alguns dos conceitos científicos usados, “Lucy” consegue capturar a imaginação dos espectadores com sua narrativa acelerada, efeitos visuais impressionantes e uma premissa intrigante. É um filme que desafia as expectativas, combinando ação visceral com questionamentos filosóficos sobre o potencial humano e a natureza da realidade.

Em resumo, “Lucy” é uma mistura audaciosa de ação e ficção científica que, embora possa desafiar a credibilidade para alguns, fornece uma experiência cinematográfica única que vale a pena ser assistida.

Título: Lucy (2014) | Diretor: Luc Besson | Gênero: Ação, Ficção Científica, Thriller