Opinião: “Grupo Wagner” de Ouro Preto já começa a estudar “próxima guerra” que irá defender

por Rodolpho Bohrer
Publicado: Atualizado:

Você que é ouro-pretano provavelmente conhece alguém pertencente do “Centrão” de Ouro Preto. Sim, não é só em Brasília que ele existe. Tem em todo canto, no estado, nas cidades, e por que não, em Ouro Preto?

Opinião: "Grupo Wagner" de Ouro Preto já começa a estudar "próxima guerra" que irá defender
Crédito: Mais Minas

Eu fui mais sarcástico e batizei essas pessoas de Grupo Wagner. Para quem não sabe, Grupo Wagner é um exército mercenário que luta o lado da guerra que paga mais. Na guerra da Ucrânia, por exemplo, eles estão do lado de Putin, mesmo sem ter nenhum tipo de ideal político que os motive. Inclusive, quando o “soldo” atrasa, o grupo demonstra infidelidade e ameaça mudar de lado.

Em Ouro Preto, é possível observar pessoas no governo de Angelo Oswaldo que eram “alto defensores” de Júlio Pimenta, e até de José Leandro. Não importa o lado político, o partido, se vai privatizar a água do município ou se vai estatizar, se a questão da moradia é negligenciada. O importante é o “vil metal” no bolso. Depois, chegando perto das eleições, mudam para o lado do candidato mais forte, ajudam na vitória do próximo prefeito e se perpetuam no poder.

Eles já descobriram que em Ouro Preto para um grupo político ganhar eleição basta menos que 38% dos votos de todo o eleitorado. De um total de 48.766 eleitores, Angelo Oswaldo se elegeu na última vez com 18.130 votos. Essa pouca quantidade de votos para eleger o prefeito faz com que grupos políticos viciados no poder tenham relevância na cidade e persistam nas entranhas da máquina pública. Em Ouro Preto já é difícil saber quem é servidor efetivo e quem é comissionado, de tanto tempo que há pessoas ocupando cargos de confiança e políticos, independentemente de quem ganhou eleição.

Nos bastidores, a pressão sobre o atual prefeito já começa, com parte desse grupo já começando a ameaçar abandonar o barco caso suas demandas não sejam atendidas. Ainda não se vê um movimento mais forte sobre isso porque o nome de Júlio Pimenta como “opção” da oposição cria resistência em vários desses grupos e um outro nome parece ainda distante de consenso.

É sedutor demais dizer que o povo é o culpado. Mas aí eu lembro que todas essas pessoas foram eleitas com o voto da minoria, e tendo a compreender que o sistema eleitoral está ultrapassado e que a falta de crença na política só fortalece essas pessoas, que nada de relevante fizeram no ambiente privado, no empreendedorismo, para ocuparem cargos de relevância que só bloqueiam o avanço da cidade.