Tag: análise musical

  • Coral Canarinhos de Itabirito realiza turnê na cidade de São Paulo

    Coral Canarinhos de Itabirito realiza turnê na cidade de São Paulo

    Entre os dias 21 a 24 de novembro, o Coral Canarinhos de Itabirito/MG estará na cidade de São Paulo para uma turnê artística e cultural. O grupo que já esteve em outros locais do estado e do país, desembarca na capital paulista pela primeira vez e terá uma agenda de apresentações gratuitas para a população.

    A escolha de levar o grupo para São Paulo não foi por acaso. Maestro e Diretor Artístico do grupo, Éric Lana, ressalta a importância que a cidade possui para a cultura brasileira, sendo um local de referência nas produções e programas de educação artística no país. “Esperamos que esta turnê proporcione um intercâmbio cultural enriquecedor, tanto para os coralistas, que terão contato direto com a cena cultural paulista, quanto para o público, que poderá conhecer a tradição do nosso trabalho coral em Minas Gerais”.

    Passaredo é o nome da turnê que marca também os 51 anos da instituição. No repertório, músicas nacionais e internacionais, que contemplam o universo do sagrado, da cultura brasileira e obras representativas do canto coral. “Pretendemos representar, tal como em um passaredo, a união de raças, cores, cantos e culturas proporcionando ao público um encontro com a música, gestos e elementos que prometem encantar e emocionar”. Pontua o maestro.

    Dentro da programação, os coralistas farão apresentações e terão a oportunidade de conhecer locais importantes da cidade. O ponto alto será a celebração e concerto na Catedral Metropolitana da Sé, na sexta-feira (22), dia em que é celebrada Santa Cecília, padroeira dos músicos.

    Experiências transformadoras através da música

    Os jovens cantores do Coral Canarinhos de Itabirito frequentam gratuitamente os programas educacionais da instituição com aulas, ensaios, concertos e vivências diversas. A realização da turnê cumpre também a missão do projeto de proporcionar experiências únicas.

    Marianne Muniz, 15 anos, ressalta a sua expectativa para vivenciar mais um momento especial com os colegas. “Vamos conhecer novos lugares, fortalecer vínculos, além de poder mostrar o nosso trabalho para mais pessoas, gerando mais oportunidades para o nosso coral”.

    Os familiares dos cantores reforçam os benefícios que viajar com o grupo pode trazer aos filhos. “Será um momento de consolidar a autonomia, responsabilidade, além de vivenciar a história, cultura e costumes de outra cidade. Estamos muito felizes pela participação do nosso filho”. Afirma Claudiane Moreira, mãe do Canarinho Murilo, de 11 anos.

    Com patrocínio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e da empresa Gerdau, a turnê faz parte de um projeto de circulação da instituição com apresentações musicais gratuitas por outras três cidades brasileiras. A agenda completa e mais informações sobre a turnê e outros projetos da instituição estão disponíveis no site www.canarinhosdeitabirito.org.br.

    Serviço:

    • Turnê “Passaredo” – Canarinhos de Itabirito MG na cidade de São Paulo
    • Data: 21 a 24 de novembro
    • Missa e concerto
    • Data: 22 de novembro, 12h – Missa e Concerto na Catedral Metropolitana da Sé e às 19:30h – Concerto na Catedral Anglicana da Santíssima Trindade
    • Local: Catedral Metropolitana da Sé e Catedral Anglicana da Santíssima Trindade
    • Entrada Gratuita

    Sobre o Coral Canarinhos de Itabirito

    Com 51 anos de história, o Coral Canarinhos foi fundado, em 1973, pelo maestro e compositor Pe. Francisco Xavier Gomes. Hoje, a Associação Cultural Coral Canarinhos de Itabirito está sediada em um casarão histórico datado de 1772 e oferece programas educacionais gratuitos de canto, instrumentos musicais, musicalização e expressão corporal. Além disso, mantém quatro polos de ensino, oito grupos artísticos, sendo quatro grupos corais, três instrumentais e o Ópera Stúdio Canarinhos, integrados por seus alunos e alunas que somam um total de 280 crianças e adolescentes atendidos.

    O coro principal, Canarinhos de Itabirito, é filiado à Federação Nacional dos Meninos Cantores do Brasil e já percorreu 11 estados brasileiros e o Chile. A direção artística, regência e coordenação estão a cargo do maestro Éric Lana e a preparação vocal e cênica é feita pela professora Thays Simões. A trajetória fonográfica inclui um álbum com hinos e canções de autoria de Pe. Francisco Xavier e diversas produções audiovisuais, tendo como destaque a recente gravação do hino oficial de Itabirito, pela ocasião do centenário do município, e turnê com apresentações pelo Distrito Federal.

  • ‘Bem-te-vi’, nova música de Maria Cecília & Rodolfo, é a poesia de um amor que sabe voar

    ‘Bem-te-vi’, nova música de Maria Cecília & Rodolfo, é a poesia de um amor que sabe voar

    Na última sexta-feira (25), Maria Cecília & Rodolfo apresentaram ao público “Bem-te-vi”, uma canção que combina a leveza de um amor que parte com a esperança de um reencontro.

    Primeiro lançamento do projeto “Maria Vai Com as Outras”, “Bem-te-vi” é uma produção da Universal Music dirigida por Ivan Miyazato e Alailson Bernardo e traz em sua melodia e letra a delicadeza do amor livre, aquele que sabe deixar ir, mas que guarda uma porta aberta para o retorno. Inspirada pelo belo pássaro de mesmo nome, a faixa tem a alma de um sertanejo que abraça a liberdade e a nostalgia, conquistando corações e desbloqueando memórias.

    Com o intuito de celebrar a força feminina, o projeto “Maria Vai Com as Outras” reuniu, em março deste ano, mais de 20 compositoras em um camping de composição no Mavsa Resort, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Nomeado em tributo à antiga banda pop rock de Maria Cecília, o projeto é mais do que uma produção musical – é um movimento que fortalece e expande o sertanejo feminino, um espaço onde as mulheres podem contar suas histórias e emoções de forma autêntica e poética.

    A canção revela a essência de um amor que, como o pássaro bem-te-vi, é bonito por sua liberdade. O pássaro, com seu canto inconfundível, simboliza aquele amor que você vê ao longe e deseja, mas nunca tenta aprisionar. Os versos “Meu bem-te-vi, quando eu pisquei, você já não estava aqui” capturam a rapidez com que o amor pode partir, mas também a aceitação que vem ao deixá-lo ir. E, ainda assim, a saudade está lá, junto à esperança no verso: “Quando quiser pousar de novo, eu tô aqui.”

    Cada verso é um reflexo de cenas cotidianas e memórias que ecoam suavemente, como no momento “te vi na rua tomando o seu café”. É uma poesia leve e acessível, onde a saudade e o amor coexistem em paz, como se o eu lírico entendesse que a felicidade do outro é o maior símbolo do próprio afeto. A melodia não sobrecarrega a letra, mas flui junto com a emoção, reforçando o tom de saudade e acolhimento.

    Compositoras como Amanda Coronha, Bruna Siqueira, Chay Moraes e Lola Ortiz, além da própria dupla, trouxeram seus universos para “Bem-te-vi”, contribuindo com uma perspectiva renovada ao sertanejo. “Maria Vai Com as Outras” reflete o novo protagonismo das mulheres no gênero, mas também amplia a sua riqueza narrativa, transformando a canção em um manifesto de liberdade e força, relembrando o valor da mulher em todos os cantos da música.

    Para quem já ama o sertanejo, “Bem-te-vi” é como um reencontro com o gênero, mas através de uma nova visão, mais intimista e poética. Para quem é novo nesse estilo, a faixa é um convite para se aventurar no sertanejo de maneira sensível e livre. Em “Bem-te-vi”, Maria Cecília & Rodolfo retratam um amor que é eterno justamente por ser livre – como o pássaro que, mesmo voando para longe, deixa um canto que ecoa. “Bem-te-vi” está disponível em todos aplicativos de áudio. Ouça agora!

    O clipe oficial está disponível no YouTube. Assista:

  • Harlequin: a versatilidade e a rebeldia de Lady Gaga

    Harlequin: a versatilidade e a rebeldia de Lady Gaga

    Lady Gaga, ou Stefani Germanotta – para os mais íntimos, sempre se destacou por sua versatilidade e audácia artística. Desde sua estreia em 2008 com o álbum The Fame, Gaga rapidamente se tornou um ícone da música pop, famosa por suas performances teatrais e interpretações musicais. Gaga também se destacou em Hollywood, por sua atuação no seriado American Horror Story e no remake do filme “A Star Is Born” (2018), pelo qual recebeu um Oscar de Melhor Canção Original.

    No entanto, foi sua personificação de Harley Quinn, no filme Joker: Folie à Deux, que parece ter desencadeado uma nova fase criativa na carreira da artista, culminando no álbum Harlequin, uma obra que nasceu da complexidade e imprevisibilidade de sua personagem.

    O álbum Harlequin surgiu como um complemento ao papel de Lady Gaga como Harley Quinn, também conhecida como Arlequina. Como Gaga declarou em várias entrevistas, interpretar Quinn a inspirou profundamente, a ponto de desejar criar uma trilha sonora que refletisse a natureza volátil e multifacetada de sua personagem. 

    Em entrevista à Apple Music, Gaga disse: “Se eu quiser que seja blues, será blues. Se eu quiser que seja funk, será funk. Se eu quiser que seja soul, será soul.” E assim, Harlequin se destaca por suas escolhas estilísticas que remetem tanto à tradição do jazz quanto ao frenesi e à anarquia associados a Harley Quinn.

    Harlequin vai muito além do que se espera de uma trilha sonora tradicional, o álbum explora as complexidades emocionais de Quinn, através de uma fusão ousada de gêneros como jazz, blues e cabaré. 

    O álbum abre com “Good Morning”, uma reinterpretação do clássico imortalizado por Judy Garland e Mickey Rooney. Gaga começa de forma sutil, com um tom de inocência, mas rapidamente mergulha em sua marca registrada: interpretações teatrais e expansivas. A canção prepara o palco para o que está por vir.

    “Get Happy (2024)”, outra faixa clássica, recebe uma atualização com guitarras distorcidas e arranjos inesperados. Gaga consegue preservar a essência alegre da versão original, mas incorpora uma imprevisibilidade que reflete a instabilidade emocional de Harley Quinn.

    “Oh, When The Saints”, é uma versão ousada do hino espiritual, onde o blues se encontra com o rock, fazendo referência ao espírito livre e rebelde de Quinn. O uso de guitarras e a abordagem crua da faixa criam uma atmosfera que é familiar e perturbadora, ao mesmo tempo.

    Um dos destaques do álbum é “The Joker”, nela Gaga revisita a música de Shirley Bassey de 1968 com uma interpretação poderosa e profundamente visceral. O arranjo de rock, impulsionado por guitarras fortes, dá à faixa uma intensidade que encapsula o caráter caótico de sua persona.

    O álbum também apresenta duas faixas originais que capturam ainda mais o espírito de Harley Quinn. “Folie à Deux”, com sua atmosfera de valsa orquestral e uma performance vocal que flutua entre diferentes tons, espelha a volubilidade de Quinn, transparecendo o dinamismo e a volatilidade da personagem. A música é rica em nuances, e sua estrutura complexa confere ao álbum um toque de sofisticação.

    “Happy Mistake” é uma das músicas mais introspectivas do álbum. Gaga explora sua vulnerabilidade tanto no vocal quanto na letra, enquanto narra o processo de fragmentação psicológica de Quinn. “Minha cabeça está cheia de espelhos quebrados”, canta Gaga, em uma alusão direta ao estado mental instável de sua personagem. A música começa de forma frágil, mas cresce em intensidade, refletindo a jornada emocional de Quinn.

    Lady Gaga já havia mostrado sua afinidade com o jazz em álbuns anteriores, como Cheek to Cheek e Love for Sale, em colaboração com Tony Bennett. Em Harlequin, essa influência é perceptível em faixas como “That’s Entertainment” e “I’ve Got the World on a String”, onde Gaga mantém a tradição do jazz, mas sempre adicionando sua marca pessoal. O toque de cabaré, característico de suas performances ao vivo em Las Vegas, também está presente, destacando-se em números como “That’s Life”, que fecha o álbum de maneira grandiosa e melodramática.

    Por outro lado, versões mais suaves, como “Smile” e “Close to You”, não atingem a mesma intensidade emocional de suas versões originais. “Close to You”, por exemplo, não consegue captar completamente a vulnerabilidade da interpretação de Karen Carpenter, e a performance de Gaga, embora tecnicamente impecável, carece da delicadeza que a canção exige. 

    O álbum é permeado pela dualidade entre Lady Gaga e Harley Quinn, onde a linha entre artista e personagem é frequentemente borrada. Faixas como “If My Friends Could See Me Now”, que começa de forma contida para depois explodir em uma performance exuberante, exemplificam essa fusão. Gaga consegue canalizar a anarquia emocional de Quinn, ao mesmo tempo em que explora sua própria teatralidade e poder vocal.

    Harlequin é um álbum que, em grande parte, se destaca por sua originalidade e pela forma como Lady Gaga abraça plenamente a natureza de sua personagem. A mistura de clássicos do jazz e blues com as excentricidades de Harley Quinn cria uma atmosfera que é, ao mesmo tempo, deslumbrante e inquietante. Embora algumas faixas possam carecer de sutileza, o álbum é uma vitrine do talento vocal de Gaga e de sua capacidade de mergulhar profundamente em personagens e narrativas complexas.

    Harlequin não é apenas um tributo à loucura e imprevisibilidade de Harley Quinn, mas também um lembrete do absurdo talento de Lady Gaga, como intérprete. 

  • Análise de ‘Caju’, revolução musical de Liniker com autenticidade e maturidade

    Análise de ‘Caju’, revolução musical de Liniker com autenticidade e maturidade

    Saudades dos álbuns com mais de dez faixas? E das músicas com mais de quatro minutos?

    O novo álbum da cantora Liniker, “Caju”, vai na contramão do mercado atual, que tem priorizado EPs mais curtos. Com catorze faixas, o disco segue uma tendência ainda presente nos Estados Unidos, onde álbuns mais longos continuam em alta. Logo no início, Liniker nos presenteia com três músicas de mais de sete minutos: “Veludo Marrom”, “Ao Te Lado” e “Me Ajude a Salvar Os Domingos”.

    Em um mundo cada vez mais fragmentado, onde a atenção é disputada a cada segundo, a música pode ser um refúgio. E para aqueles que buscam uma experiência musical mais profunda e imersiva, “Caju” é perfeito. Com suas faixas longas e envolventes, o álbum nos convida a nos desconectar do mundo e nos conectar com a música de uma forma mais intensa.

    O segundo álbum de estúdio de Liniker, lançado em 19 de agosto de 2024, além de contar com composições originais, também conta com colaborações de peso, como Amaro Freitas, Anavitória, BaianaSystem, Melly, Priscila Senna, Lulu Santos, Pabllo Vittar e Tropkillaz. O primeiro single, “Tudo”, foi lançado em 11 de julho de 2024.

    Assim como a pseudofruta caju, que traz a doçura única em sua polpa e a intensidade na castanha, o álbum “Caju” mistura o sabor do blues com o frescor do pop brasileiro, além de outros ritmos. A produção é como a colheita perfeita, que amadurece no ponto certo, garantindo um sucesso imediato. Em apenas 24 horas, suas 14 faixas frutificaram nas paradas musicais, com 13 delas ocupando lugares entre as 100 mais tocadas no Spotify Brasil, espalhando seu sabor por diversas plataformas.

    Além de ser um sucesso comercial, o álbum explora um lado mais pessoal da artista. Liniker foi imortalizada na Academia Brasileira de Cultura em 2023, e, segundo a própria, o nome “Caju” representa um alter ego, inspirado por um comentário sobre o formato de sua boca. Através desse personagem, ela conta histórias íntimas com mais liberdade, além de refletir sobre o seu “eu interior”.

    A faixa-título, que abre o álbum, é uma obra poética que reflete sobre como amar e ser amado(a). A mensagem central é clara: não devemos aceitar menos do que merecemos. A letra é uma reflexão sobre o amor-próprio e os desafios de colocá-lo em prática.

    As três faixas mais longas — “Veludo Marrom”, “Ao Te Lado” e “Me Ajude a Salvar Os Domingos” — se destacam pela metalinguagem. Em “Veludo Marrom”, Liniker deixa claro: “Nem ligo, a gente pode demorar.”, o que funciona como um comentário sobre a própria duração da faixa, que é mais longa do que a média. A instrumentalidade dessas músicas é impecável.

    Por outro lado, faixas mais curtas como “Tudo” (3:35), “Mayonga” (2:13) e “Papo de Edredom” (3:13) são autênticas e trazem orgulho da música brasileira. “Mayonga” se destaca como um sambinha alegre e envolvente, que lembra as obras de Jorge Ben, com um charme e força irresistível.

    Do início ao fim, “Caju” é um álbum espetacular. Liniker mostra maturidade musical e emocional em cada faixa, e é impossível não se envolver com a profundidade e beleza do trabalho. Em entrevista ao “O Globo”, Liniker celebrou o sucesso: “Estou muito realizada, é a primeira vez que alcanço o Top 1.”. O sucesso é mais que merecido, porque “Caju” é uma obra que transcende que contrasta com o mercado atual, entregando música de qualidade em todos os aspectos.

    Com ‘Caju’, nos sentimos mais brasileiros do que nunca. A língua portuguesa ganha novos contornos e sonoridades com esse álbum, fortalecendo nossos laços com a nossa cultura.

    O álbum está disponível nas plataformas digitais de streaming de músicas, incluindo em formato visual no YouTube.

    Ouça “Caju”:

  • Analisando o “O Canto das Três Raças”, eternizada na voz de Clara Nunes

    Analisando o “O Canto das Três Raças”, eternizada na voz de Clara Nunes

    Uma das canções que mais expressam a identidade do povo brasileiro é “O Canto das Três Raças”, eternizada na voz de Clara Nunes. A canção une três tempos da história do país, traçando um paralelo com o atual.

    Assinada em 1861, a Lei do Ventre Livre previa que a criança de toda mulher escravizada seria livre, ficando sob a tutela do dono da mulher escravizada até completar oito anos de idade. Então esse dono tinha duas opções: entregar a criança para a tutela do estado e receber uma compensação em troca, ou ficar com a criança até os 21 anos de idade, com o direito de usufruir da mão de obra da mesma até que ela completasse tal idade. 

    Apesar de absurda para os tempos atuais, a Lei do Ventre Livre garantia o gradual e lento fim da escravidão no Brasil.

    Mas o que essa lei tem haver com a música, redatora? Talvez você esteja se perguntando. A canção “O Canto das Três Raças”, escrita por Paulo César Pinheiro, musicada por Mauro Duarte e gravada por Clara Nunes em 1976 narra uma longa tentativa do povo brasileiro de tentar se libertar das amarras dos poderosos.

    Vamos por partes para termos uma maior compreensão. Na primeira estrofe da música temos “Ninguém ouviu, um soluçar de dor, no canto do Brasil”. Essas frases são interessantes pois podem se referir ao verbo cantar, logo, “no canto do Brasil” ou a indicação de solidão e desprezo, colocando a palavra canto no substantivo como aresta, ponta, um local solitário e triste em que alguém estivesse soluçando de dor. Então, substituindo teríamos “Ninguém ouviu, um soluçar de dor nas arestas do Brasil”, o que nos faz pensar “o que teria nessas arestas, nesses locais isolados, nos cantos do Brasil?” Profundo, não?

    Continuamos analisando essa letra para encontrarmos mais dicas do que pode se tratar. Na segunda estrofe podemos encontrar uma chave, veja.

    Um lamento triste sempre ecoou, desde que o índio guerreiro, foi pro cativeiro e de lá cantou”. Então já conseguimos entender de que “canto” se tratava a primeira estrofe, o canto dos desprezados, dos humilhados, dos sequestrados, daqueles que tiveram suas culturas e seus corpos subtraídos e foram lançados ali em um canto do Brasil, em um cativeiro, como se não tivesse alma, como se não fossem seres humanos.

    Se pensarmos que quando o Brasil foi colonizado, já existiam aqui os povos originários, os nativos, os índios, entendemos que o compositor está falando desses povos. Mas não é tão simples de se compreender, pois o letrista foi específico, ele não escrevei índios no plural e sim “Índio Guerreiro“, no singular, um forte indicativo de que a letra se trata das Guerras Guaraníticas.

    Sabemos que quando os europeus “descobriram” as américas, a América do Sul foi dividida em duas partes, sendo que uma fazia parte da Coroa Portuguesa e outra da Espanha, por isso se fala português e espanhol aqui em “bajo”, é o famoso Tratado de Tordesilhas. Como todavia os portugueses gostavam de se apropriar de cada vez mais territórios afim de estabelecer seu poder no máximo de extensão territorial o possível, eles invadiram uma terra que fica de frente para Buenos Aires, na Argentina e claramente pertencia à Espanha, os portugueses batizaram o local como Colônia do Sacramento, onde permaneceram por 70 anos, até que a Coroa Espanhola não aceitou mais.

    A Coroa Portuguesa pediu em troca de sair das terras dos espanhóis, os sete povos das missões, esses povos das missões eram compostos por 30 povos diferentes que viviam onde hoje é o Rio Grande do Sul, Argentina, Uruguai e um pedaço do Paraguai, um desse lugares é um canto do Brasil. Esse combinado é chamado de “Tratado de Madri”. Bom, todo mundo ficou feliz, só tinha um detalhe “pequeno”, ninguém consultou os 30 povos guaranis sobre sua vontade de deixar suas terras e obviamente eles não aceitando, atacaram uma comissão formada por portugueses e espanhóis que estavam ali para demarcar as terras. Na ocasião, os índios mataram cerca de 230 europeus.

    Portugal reagiu e contra-atacando com o seu exército, iniciou-se então as guerras Guaraníticas. Os povos guaranis tinham como líder Sapé Tiaraju, que ao invés de bolar uma estratégia de guerra, preferiu enfrentar o exército português de frente. Ele teve o cavalo derrubado, foi atingido por uma lança e levado em cativeiro, onde ficou preso, foi torturado até a morte. Pelo menos 1.500 índios morreram neste confronto.

    Acontece que Sepé Tiaraju virou mártir, um heróis. Até os dias atuais ele é tido como um santo, São Sepé, no Rio Grande do Sul. Com muitas histórias e mitos sobre sua vida, depois de executado Sepé também recebeu o nome é Índio Guerreiro. Simmm, este mesmo que está na música de Clara Nunes. Uauuu, né!!

    Acho que conseguimos desvendar uma das “Três Raças” da música. Vamos seguindo para a terceira estrofe. “Negro entoou um canto de revolta pelos ares, no Quilombo dos Palmares, onde se refugiou“. Primeiramente precisamos compreender o significado de quilombo, que é esconderijo na mata, era onde as pessoas negras que foram escravizadas no Brasil e tentavam fugir daquela cruel realidade se escondiam. Os quilombos sempre existiram, desde o descobrimento do Brasil por Portugal, pois sempre houveram pessoas negras que não aceitavam se submeter ás vontades e castigos de outras pessoas que pensavam terem o direito de possuir outros seres humanos somente por causa do da cor de suas peles.

    Pois bem, quilombo então sempre existiu, mas o Quilombo dos Palmares foi notoriamente um dos mais importantes, pois foi onde nasceu o Zumbi dos Palmares, um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época e pela liberdade de culto religioso e prática da cultura africana no Brasil. A figura de Zumbi é tão importante que o dia da Consciência Negra é a data de sua morte, que aconteceu em 1695.

    Zumbi dos Palmares foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. Localizado em Maceió, no estado de Alagoas, outro canto do Brasil. Então esse verso da música “O canto das Três Raças”, fala sobre a história de luta dos negros que foram trazidos de países africanos para serem escravizados no Brasil.

    Sigamos, “Fora a luta dos inconfidentes, pelas quebras das correntes, nada adiantou“. Sintetizando, essa é uma história bastante conhecida e lecionada nas escolas. Além dos povos índios e negros tentarem se libertar do domínio europeu, brasileiros também tentaram. O movimento da inconfidência mineira aconteceu em cidades como Ouro Preto. Ele teve como líder e mártir Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes. Depois da descoberta das riquezas naturais na região dos Inconfidentes, sobretudo o ouro. A Coroa Portuguesa acreditava que o ouro de Ouro Preto, Mariana e região era eterno, houve um período de intensa extração chamado pelos historiadores de “Ciclo do Ouro “. Com o passar do tempo o ouro começou a acabar.

    Obviamente os impostos que os extratores de ouro para Portugal começou a diminuir. Nesse mesmo período, um grupo de burgueses se reuniram para tentar se livrar do império português e implementar um sistema republicano. Só que a Coroa descobriu, prendeu todos os envolvidos, chamados de conspiradores. Mas como matar todos seria um escândalo, eles fizeram um trato, absorver todo mundo e executar apenas um, este seria o exemplo para que as conspirações não se repetisse. Tiradentes foi o escolhido. Ele foi esquartejado, as partes do seu corpo foram distribuídas por diversas cidades, expostas, para servir de lição e impor medo em quem pretendesse planejar algo parecido.

    Parte dos inconfidentes também pleiteavam a abolição da escravatura. Então eles queria uma política republicana sem escravatura, mas não eram todos que concordavam com a parte da abolição da escravatura, embora a maioria sim. Então esse trecho música trata desta parte mais especificamente, dos brasileiros tentando emancipação e na busca pela liberdade dos negros escravizados.

    E de paz em paz, de guerra em guerra, todo o povo desta terra quando pode cantar, canta de dor“. Recordando essas três guerras, que aconteceram em períodos cronológicos diferentes e associando-as a esse esse trecho da música, compreendemos que de tempos em tempos o Brasil precisa se libertar de alguma amarra. Os grilhões se renovam e a vontade do ser humano de oprimir seus semelhantes se redesenha, seja através do palpável ou do impalpável, como as redes sociais.

    Para finalizar temos “e ecoa noite e dia, é ensurdecedor, ai, que agonia, o canto do trabalhador, esse canto que devia, ser um canto de alegria, soa apenas, como um soluçar de dor“. Aqui a letra trata dos brasileiros mais contemporâneos (a época de Clara Nunes e até os dias atuais), que taralham dia a dia e são oprimidos pelo capitalismo selvagem. Aquelas pessoas cujo os seus corpos servem à grandes empresas, aos magnatas desta terra, mas ao final de semana não conseguem rendimentos nem para levar suas crianças para um passeio. Não conseguem, com seus “salários de fome” conquistar bens, formar seus filhos ou viajar. A escravidão foi abolida no papel, mas muitos ainda são escravos da sobrevivência.

    Relembre a canção “O Canto das Três Raças”, interpretada por Mariene de Castro.

  • Reconvexo: uma reflexão musical e cultural de Caetano Veloso

    Reconvexo: uma reflexão musical e cultural de Caetano Veloso

    Não é novidade que Caetano Veloso escreveu o clássico da música brasileira “Reconvexo” para sua irmã e também cantora Maria Bethânia gravar. O que pouca gente sabe é que essa canção, assim como tantas outras de Caetano, traz enigmas e críticas a serem decifrados.

    Neste artigo, vamos iniciar uma análise sutil sobre essa música tão importante para a cultura do Brasil. Começamos falando sobre o nome: Reconvexo. O próprio nome da canção já é uma crítica; Caê (para os íntimos) quis se expressar no sentido de visão de mundo, e principalmente acerca do Brasil, pois existem pessoas que enxergam situações sob uma lente côncava (do interior de um círculo), e outras sob uma lente convexa (do lado de fora do círculo). Mas Caetano não para por aí, ele coloca o “re” antes das palavras e as resignifica, reinventa, tanto que essa palavra Reconvexo não existe no vocabulário português. Entretanto, Caê a cria para explicar que existem pessoas que, além de não conseguirem enxergar nem o interior e nem o exterior das outras pessoas ou situações, jamais conseguiriam ter uma visão mais ampla.

    Musicalmente falando, Reconvexo é bem rítmica, tem arranjos e a malemolência do samba baiano de Caetano.

    O autor já começa bagunçando tudo: “Eu sou a chuva que lança a areia do Saara sobre os automóveis de Roma”. Caetano aqui fala sobre a impetuosa chegada de Bethânia em algum lugar, uma mulher que já chega causando muita confusão, mas também faz menção ao Brasil, principalmente à dificuldade do país em manter tudo nos seus devidos lugares em decorrência da pluralidade. Justamente nesta ocasião, Caetano estava em Roma. “Compus para Bethânia gravar. Eu estava em Roma quando um dia acordei e vi os carros empoeirados, todos cobertos de areia”, disse Caetano Veloso sobre o processo de criação de Reconvexo para Sobre as Letras (página 62).

    Na ocasião, Caetano se encontrava desconfortável em relação às críticas escritas pelo jornalista carioca Paulo Francis, que morava em Nova Iorque e escrevia para um jornal de lá de forma negativa sobre o Brasil e o comportamento da sociedade brasileira, políticos, intelectuais, enfim, de uma forma geral, seus textos eram destrutivos para a imagem do país. Caetano então começa a desfilar as riquezas do país em sua letra e, em paralelo, fala sobre a sereia, uma figura que faz parte do folclore do país: “Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara, água e folha da Amazônia”.

    “Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra”. Nesse trecho da letra, Caetano fala de profundas raízes afro-baianas. Uma religiosa chamada Aninha de Afonjá chamava a Bahia de Roma Negra por volta de 1930, por encontrar ali uma concentração de negros muito grande, como se a Bahia fosse uma capital de negros fora da África.

    “Você não me pega, você nem chega a me ver, meu som te cega, careta, quem é você?”, aqui voltamos à questão de Caetano estar criticando o jornalista e, paralelamente, falando da falta de visão e tato de muitos estrangeiros em relação às questões profundas do Brasil, como espiritualidade, riquezas naturais, ritualidade, etc. Ele pergunta como se estivesse questionando: quem é você para falar do meu país? Quem é você “que não sentiu o suingue de Henri Salvador, que não seguiu o Olodum balançando o Pelô, que não riu com a risada de Andy Warhol, que não, que não e nem disse que não”. Aqui há várias referências sobre a riqueza cultural do país, mais especificamente da Bahia. Henri Salvador foi um intérprete e compositor francês que se apaixonou pelo Brasil; ele morou em Copacabana e é considerado por muitos como um dos criadores da Bossa Nova. Olodum é um bloco de rua que traz a musicalidade afro em seus tambores. São profissionais da percussão que saem pelas ruas de Salvador, capital baiana, levando seu ritmo. Por último, neste trecho, Caê fala de Andy Warhol, um cineasta que, por volta de 1960, levantou a bandeira do movimento pop-art. Ele ficou conhecido pelo jeito debochado e pela forma com que ironizava as pessoas tradicionais. Caê ainda menciona o “não” de muita gente que recebe o novo, o nega, mas no fundo gosta, “e nem disse que não”.

    “Eu sou um preto norte-americano forte, com um brinco de ouro na orelha”. Aqui, Caê ironiza o jornalista brasileiro que foi morar fora, falava mal do Brasil, mas usava uma de nossas riquezas naturais, o ouro, na orelha.

    Ele também escreve sobre mesclar elementos sonoros das primeiras manifestações musicais brasileiras ao moderno e o divisor de águas que isso iria criar (e criou) na arte nacional: “Eu sou a flor da primeira música, a mais velha, a mais nova espada e seu corte”.

    E começa a dar novas referências: “Sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gitá Gogóia, seu olho me olha mas não me pode alcançar”. Caetano aqui continua falando sobre música, especificamente sobre a de Raul Seixas (Gitá), e deseja mostrar que no Brasil, artistas estariam criando e reinventando um novo jeito de fazer música, introduzindo inclusive o rock.

    “Não tenho escolha, careta, vou descartar”. Essa é (em minha opinião) a melhor parte da letra da canção Reconvexo. Nessa parte, Caetano “surta” e descarta de cara quem não conhece a fundo o Brasil e quer sair falando mal do país aos quatro ventos. Então, ele tira do rol de suas preferências “Quem não rezou a novena de Dona Canô, quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor, quem não amou a elegância sutil de Bobô, quem não é Recôncavo e nem pode ser reconvexo”. Vou esclarecer as referências acima mencionadas: Dona Canô dispensa explicações, pois é a mãe de Caetano e Bethânia. Joãozinho Beija-Flor foi um carnavalesco maranhense que revolucionou o jeito de fazer carnaval no Rio de Janeiro. Ele trabalhou com diversas Escolas de Samba na capital fluminense. E Bobô foi um jogador de futebol do Bahia que, juntamente com a equipe, levou o Campeonato Brasileiro em 1988.

    Bom, deixei as referências e a análise sobre a música Reconvexo de Caetano Veloso, que foi gravada por Maria Bethânia em 1989 em formato de vinil ainda. Inclusive, o nome da música foi o nome do disco. Posteriormente, Caetano também gravaria a canção, colocando sua cara.

  • Uma análise sobre “Um Índio”, de Caetano Veloso

    Uma análise sobre “Um Índio”, de Caetano Veloso

    As composições de Caetano Veloso das décadas de 80 e 90 trazem profundas reflexões e mensagens ocultas a serem desvendadas. “Um Índio” é um dos enigmas do artista. Lançada no álbum “Bicho”, ela abre o lado B de um dos discos mais épicos do baiano.

    “Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante
    De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
    E pousará no coração do hemisfério sul
    Na América, num claro instante
    Depois de exterminada a última nação indígena
    E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
    Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias”

    Na primeira parte da canção, Caetano Veloso fala sobre um ser com poderes especiais que virá à América do Sul. Ele chama o ser “Um Índio” nome da música. Nessa parte o cantor expõe que este ser já exterminou todos os continentes da terra e falta apenas “o coração do hemisfério sul, na América”.

    “Virá
    Impávido que nem Muhammad Ali
    Virá que eu vi
    Apaixonadamente como Peri
    Virá que eu vi
    Tranqüilo e infalível como Bruce Lee
    Virá que eu vi
    O axé do afoxé Filhos de Gandhi
    Virá”

    No refrão apocalíptico, Caetano compara a perfeição do ser vindouro a Muhammad Ali, o pugilista considerado um dos maiores no esporte.

    Cassius Marcellus Clay era seu primeiro nome, no entanto, após se converter ao Islamismo, o boxeador mudou seu nome para Muhammad Ali-Haj. O esportista também gravou dois discos musicais e lutou contra o racismo, e quando esteve em Louisville para apoiar a luta da população local por moradia, declarou: 

    “Por que me pedem para vestir um uniforme e me deslocar 10.000 milhas para lançar bombas e balas no povo marrom do Vietnam, enquanto os negros de Louisville são tratados como cachorros, sendo-lhes negados os mais elementares direitos humanos? Não, não vou viajar 10.000 milhas para ajudar a assassinar e queimar outra nação pobre para que simplesmente continue a dominação dos senhores brancos sobre os povos de cor mais escura mundo afora. É hora de tais males chegarem ao fim.

    Fui avisado de que essa atitude me custaria milhões de dólares. Mas eu já disse isso uma vez e vou dizer de novo. O inimigo real do meu povo está aqui. Não vou desgraçar minha religião, meu povo ou a mim mesmo tornando-me um instrumento para escravizar aqueles que estão lutando por justiça, liberdade e igualdade…

    Se eu pensasse que a guerra traria liberdade e igualdade a 22 milhões de pessoas do meu povo, eles não precisariam me obrigar, eu me juntaria a eles amanhã mesmo. Não tenho nada a perder por sustentar minhas crenças. Então, vou para a prisão, e daí? Nós estivemos na prisão por 400 anos.”

    Caetano também compara o ser a Peri, um índio, personagem fictício do romance ‘O Guarani’, de José de Alencar. No conto, Peri abandona seu povo para viver uma história de amor com uma branca.

    E Caetano Veloso continua a fazer comparações: “Tranqüilo e infalível como Bruce Lee”. Nessa parte muitos religiosos associam a comparação ao papado, e pelo título “infalível” que o compositor deu a Bruce Lee, outros comparam à besta do apocalipse, usando menções bíblicas para argumentar a tese.

    Bruce Lee foi o maior representante da arte marcial chinesa Kunk Fu que passou pelas telas de Hollywood, onde seus filmes históricos o aclamaram como maior e mais infalível lutador de artes marciais.

    O grupo Filhos de Gandhi, que Caetano menciona ao final do refrão, refere-se a um dos maiores grupos de afoxé, tendo seu surgimento em 1949, em Salvador (BA). O grupo mescla elementos da cultura africana ao induísmo, inspirados no líder ativista político Mahatma Gandhi, que militou pela paz mundial.

    “Um índio preservado em pleno corpo físico
    Em todo sólido, todo gás e todo líquido
    Em átomos, palavras, alma, cor
    Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico
    Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
    Do objeto-sim resplandecente descerá o índio
    E as coisas que eu sei que ele dirá, fará
    Não sei dizer assim de um modo explícito”

    Já na segunda estrofe da canção, Caetano Veloso faz uma analogia ao ser que virá, sendo ele existente no plano real, puro, bondoso, poderoso e misericordioso, que tomará atitudes nunca tomadas em todo o universo; atitudes não tomadas por todos os seres viventes que passaram e/ou passarão pela terra.

    “E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
    Surpreenderá a todos não por ser exótico
    Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
    Quando terá sido o óbvio”

    Caetano termina o enigma musical deixando nas entrelinhas que ao se revelar, “o índio” deixará todos de queixo caído, pelo fato de estar o tempo todo entre nós e não o notarmos.

    Tire suas conclusões, ouça aqui a música “O Índio”, de Caetano Veloso.